Justiça do RJ trava R$ 135 milhões do Banco Master
Medida atende a pedido do Rioprevidência e do governo estadual após prejuízo com fundo de investimento ligado a ações da Ambipar.

A Justiça do Estado do Rio de Janeiro congelou R$ 135 milhões das contas do Banco Master e de gestores financeiros a pedido do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência).
A medida visa estancar o prejuízo provocado por aplicações suspeitas em fundos de investimento desvalorizados. Entre 4 de julho e 8 de agosto de 2025, o Rioprevidência alocou R$ 150 milhões no fundo Texas i Fia, que mantinha quase todo o patrimônio concentrado em papéis da empresa Ambipar. Após um ano, a forte queda no valor dessas ações reduziu a carteira em cerca de R$ 15 milhões.
Entenda o bloqueio das contas
A trava judicial alcança o Banco Master, a Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários LTDA., a Axor Asset LTDA. e os executivos Alexandre Marchesani Canata e Felipe Mota Separovic Rodrigues. A decisão atende ao pedido do governo fluminense e do Rioprevidência para reter valores até o montante necessário para cobrir o dano financeiro.
O bloqueio impede que os réus movimentem os recursos nas contas bancárias até a apuração completa das responsabilidades. O processo tramita para averiguar a conduta dos administradores privados e agentes públicos envolvidos na escolha do investimento.
Indícios de fraude e gestão temerária
O juiz Wladimir Hungria, da Vara de Fazenda Pública, identificou manobras para valorizar ações artificialmente usando recursos previdenciários públicos. Segundo a decisão, a concentração exagerada do patrimônio em um só ativo expôs o dinheiro dos aposentados a risco injustificado.
A sofisticação dos atos fraudatórios revela que a sua execução não seria possível sem o domínio do fato pelos evolvidos durante a operação que culminou com a pulverização do dinheiro público alocado
Wladimir Hungria, juiz da Vara de Fazenda Pública
Wladimir Hungria, juiz da Vara de Fazenda Pública
O magistrado apontou que concentrar valores expressivos em um único ativo indica gestão temerária. A hipótese apurada é de que a operação serviu para criar uma falsa demanda de mercado, elevando o preço das ações e capturando o fundo previdenciário como instrumento do esquema.
O que acontece a partir de agora?
Os valores retidos permanecem sob custódia da Justiça até o julgamento definitivo do caso. Nada muda de imediato quanto ao pagamento de aposentadorias ou benefícios do funcionalismo estadual, pois a decisão busca recompor o caixa preventivamente.
A ação judicial prossegue na Vara de Fazenda Pública, onde os réus poderão apresentar defesa. O mérito da causa e a eventual condenação em ressarcimento definitivo dependem dos próximos passos do processo.
Perguntas frequentes
Quem teve as contas bloqueadas na decisão?
Qual foi o prejuízo causado ao fundo previdenciário?
Qual a justificativa do juiz para a ordem de bloqueio?
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