Brasil nega visto a diplomatas dos EUA sobre urnas
Itamaraty rejeita entrada de dois representantes norte-americanos após questionamentos sem provas contra o sistema eleitoral brasileiro.

O Ministério das Relações Exteriores negou vistos de entrada para dois integrantes do governo dos Estados Unidos. A medida barra a viagem de agentes norte-americanos que pretendiam acompanhar o processo eleitoral brasileiro de perto.
A decisão atinge o subsecretário do Departamento de Estado para a Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, Riley Barnes, e o subsecretário adjunto Samuel Samson. Ambos pretendiam desembarcar no país para conversar com autoridades eleitorais sobre a liberdade de expressão nas eleições marcadas para outubro.
O motivo do bloqueio aos diplomatas
O governo brasileiro tomou conhecimento do pedido de envio dos diplomatas e avaliou que a viagem representava uma instrumentalização política do pleito nacional. A solicitação ocorreu logo depois de um encontro em Brasília em que políticos brasileiros apresentaram questionamentos sem provas sobre as urnas eletrônicas a representantes estrangeiros.
Diante do contexto de pressão sobre o sistema de votação, a diplomacia brasileira optou por vetar a concessão dos documentos de viagem. O MRE confirmou o indeferimento no sábado (25).
Suspeitas sem provas sobre as urnas
A controvérsia sobre os equipamentos ganhou força no início da semana. Na segunda-feira (21), o pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro reuniu-se com diplomatas para alegar que as urnas brasileiras seriam produzidas pela empresa venezuelana Smartmatic. Ele não apresentou nenhum documento para sustentar a afirmação.
Posicionamento do Tribunal Superior Eleitoral
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reagiu às declarações na quarta-feira (22) e negou qualquer vínculo com a companhia citada. Segundo a Justiça Eleitoral, a Smartmatic jamais forneceu urnas eletrônicas ou programas de computador para as eleições brasileiras.
O órgão explicou que técnicos e servidores da própria Justiça Eleitoral projetam todo o sistema. A fabricação física das urnas ocorre sob coordenação direta do TSE por meio de empresas contratadas via licitação pública com ampla concorrência, modelo que garante a integridade da votação.
O que muda na prática
Com a negativa dos vistos, os representantes do governo norte-americano não poderão realizar agendas oficiais com autoridades brasileiras durante o período pré-eleitoral. O acompanhamento do pleito segue sob as regras ordinárias e protocolos vigentes definidos pela Justiça Eleitoral, sem interferência externa desautorizada pelo Itamaraty.
Perguntas frequentes
Por que o Brasil negou visto aos norte-americanos?
O Ministério das Relações Exteriores entendeu que a visita dos representantes dos Estados Unidos configurava instrumentalização política do processo eleitoral brasileiro, pois o pedido ocorreu após questionamentos sem provas sobre as urnas eletrônicas.
Quem teve a entrada negada no país?
Os afetados pela decisão do governo brasileiro foram Riley Barnes, subsecretário do Departamento de Estado para a Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e o subsecretário adjunto Samuel Samson.
A Smartmatic fabrica as urnas eletrônicas do Brasil?
Não. O Tribunal Superior Eleitoral esclareceu que a Smartmatic nunca forneceu urnas ou softwares para as eleições no Brasil, sendo os equipamentos projetados por servidores da própria Justiça Eleitoral e fabricados via licitação pública.
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