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20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Criminal

Polícia prende suspeitos de induzir jovens ao suicídio na web

Ação coordenada pelo Ministério da Justiça investiga grupo que coagia adolescentes nas plataformas Discord e Telegram após a morte de uma jovem.

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Ação coordenada pelo Ministério da Justiça investiga grupo que coagia adolescentes nas plataformas Discord e Telegram após a morte de uma jovem.
Foto: Isaac Amorim/MJSP

Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e do Ministério da Justiça e Segurança Pública desarticulou um grupo virtual acusado de coagir adolescentes a praticar automutilação, violência contra animais e suicídio na internet.

A Operação Lívia cumpriu 8 mandados de busca e apreensão no Ceará, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. A apuração policial teve o suporte técnico do Laboratório de Operações Cibernéticas, ligado à Secretaria Nacional de Segurança Pública.

Como funcionava o esquema no Discord e Telegram

Os criminosos atraíam vítimas para transmissões ao vivo e chats fechados. Durante as interações nas redes sociais Discord e Telegram, praticavam extrema coerção psicológica sobre os jovens. Em julho, uma adolescente de 13 anos tirou a própria vida durante uma transmissão ao vivo com duração de 45 minutos em Naviraí, no Mato Grosso do Sul.

Antes de falecer, a menina sofreu coação para torturar e matar um animal. Os investigados também criaram uma chave Pix no nome da garota sem o conhecimento da família, transferindo dinheiro para que ela comprasse lâminas para se ferir. A intervenção dos investigadores evitou que outra vítima cometesse suicídio em uma transmissão ao vivo pré-agendada em outro estado.

Quem são os investigados e presos

As forças de segurança apreenderam 5 adolescentes com idades entre 13 e 17 anos e prenderam um homem de 18 anos. Um jovem de 14 anos, localizado no Rio de Janeiro, é apontado como o líder do grupo. Entre os suspeitos investigados está também um estudante seminarista de um mosteiro em Pernambuco.

Pelo ECA Digital, o Discord teria a obrigação de derrubar esses conteúdos e comunicar imediatamente às autoridades policiais, para que as autoridades policiais pudessem agir antes que esses resultados acontecessem. E isso não foi feito.

Victor Fernandes, secretário Nacional de Direitos Digitais

Victor Fernandes, secretário Nacional de Direitos Digitais

Falhas das plataformas e aplicação da lei

O Ministério da Justiça aponta que a rede Discord descumpriu regras do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente ao não cortar a transmissão ao vivo do suicídio, não remover o vídeo e não avisar a polícia. O aplicativo também falhou ao não checar a idade dos usuários em salas virtuais restritas a menores.

Diante das omissões, a Secretaria Nacional de Direitos Digitais enviará uma representação para a Agência Nacional de Proteção de Dados. A agência analisará as sanções cabíveis contra as plataformas por desrespeitarem o Marco Civil da Internet e o Decreto de Proteção de Mulheres no Ambiente Digital. As investigações continuam com a análise dos dispositivos apreendidos para identificar novos cúmplices e resgatar outras potenciais vítimas.

Perguntas frequentes

Quem foi preso na Operação Lívia?
A polícia cumpriu mandados contra seis pessoas: apreendeu cinco adolescentes de 13 a 17 anos e prendeu um homem de 18 anos. Um adolescente de 14 anos apreendido no Rio de Janeiro é suspeito de liderar o grupo que atuava nas redes sociais Discord e Telegram.
Como funcionavam os ataques virtuais contra os adolescentes?
Os suspeitos atraíam crianças e adolescentes para grupos fechados na internet, praticavam forte pressão psicológica e estimulavam atos de automutilação, violência contra animais e suicídio. Em um dos casos, os criminosos criaram uma chave Pix sem autorização para enviar dinheiro à vítima para a compra de lâminas.
As redes sociais Discord e Telegram podem ser punidas?
Sim. O Ministério da Justiça enviará um pedido de investigação à Agência Nacional de Proteção de Dados. As plataformas são acusadas de violar o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente por não interromperem transmissões violentas ao vivo, não removerem os conteúdos e não aplicarem verificação de idade.
Como denunciar ou buscar ajuda nesses casos?
O material de origem não detalha canais específicos de denúncia do Ciberlab ou da Polícia Civil, mas reforça a orientação das autoridades para que pais e responsáveis mantenham vigilância ativa sobre o acesso de menores à internet e relatem condutas suspeitas às autoridades policiais.

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