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20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Digital

MPSP propõe acordo ao Discord para barrar crimes na rede

Medida exige regras de segurança para proteger menores após investigação policial apontar cooptação de adolescentes em transmissões ao vivo.

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Medida exige regras de segurança para proteger menores após investigação policial apontar cooptação de adolescentes em transmissões ao vivo.
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) enviou uma proposta de acordo à empresa responsável pela rede social Discord no Brasil para impor regras de segurança e conter crimes contra crianças.

A medida visa alterar o funcionamento da plataforma em todo o país. O MPSP aguarda a manifestação da empresa para confirmar a assinatura do documento ou adotar outras providências judiciais.

O que motivou a ação do Ministério Público

A apuração teve início após a morte de uma jovem de 13 anos, ocorrida em 22 de julho de 2026, na cidade de Naviraí. A vítima transmitiu o fato ao vivo durante 45 minutos dentro do aplicativo, após sofrer coação de criminosos virtuais que também tentaram forçá-la a praticar maus-tratos contra um animal.

A tragédia motivou a deflagração da Operação Lívia pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, com suporte direto do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). A ofensiva policial cumpriu mandados e apreendeu 5 menores de idade, com faixas etárias entre 13 e 18 anos, espalhados por cinco estados. O grupo é investigado por disseminar conteúdos de violência sexual, incitação à automutilação e abuso de animais.

Como funciona o acordo proposto à plataforma

O procedimento investigativo contra a empresa tramita sob segredo de Justiça na capital paulista. Para resolver as irregularidades sem pendências judiciais longas, o MPSP propôs a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que fixa obrigações diretas de fiscalização e punição a abusos cometidos em salas virtuais.

A iniciativa insere-se na atuação institucional do Ministério Público voltada à proteção de direitos coletivos e ao aperfeiçoamento de mecanismos de prevenção e enfrentamento à utilização de plataformas digitais para a prática de ilícitos, especialmente quando envolvidos, como vítimas, crianças, adolescentes, mulheres e animais

Ministério Público do Estado de São Paulo, nota oficial

Ministério Público do Estado de São Paulo, nota oficial

Reuniões com o governo federal e próximos passos

Paralelamente às negociações no Estado de São Paulo, a empresa dona do Discord apresentou um plano de ação para a Advocacia-Geral da União (AGU). O documento chegou ao órgão federal no dia 10 de agosto de 2026, após reuniões do grupo técnico.

Esses encontros reuniram integrantes da AGU, do MJSP e da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Os órgãos governamentais apontaram falhas graves na verificação da idade dos cadastrados e na proteção de usuários menores de idade. Se a empresa aceitar os termos do MPSP, as novas exigências entram em vigor conforme o prazo estipulado no contrato definitivo. Se recusar, o caso pode avançar para o Tribunal de Justiça.

Perguntas frequentes

O que é o TAC proposto ao Discord?
O Termo de Ajustamento de Conduta é um acordo formal proposto pelo Ministério Público do Estado de São Paulo para que a plataforma Discord assuma compromissos de segurança digital, previna crimes e reforce a proteção de crianças e adolescentes sem a necessidade de um processo judicial longo.
O aplicativo Discord deixará de funcionar no Brasil?
O material oficial não informa o bloqueio da rede. O processo busca adequar as regras do Discord às exigências legais de proteção a menores. A plataforma aguarda avaliação das propostas apresentadas ao Ministério Público paulista e à Advocacia-Geral da União para definir os ajustes operacionais.
Quem investiga os crimes cometidos na rede social?
As investigações criminais são conduzidas pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Paralelamente, a fiscalização de proteção de dados e direitos coletivos envolve o Ministério Público do Estado de São Paulo, a Advocacia-Geral da União e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados.

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