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Alcolumbre exige comissões para analisar PEC da escala 6x1

20h56
TUE., 11 DE AGO. DE 2026
Processo

União deve pagar R$ 300 mil a filho de João Cândido

Justiça Federal pune ofensas oficiais da Marinha contra o líder da Revolta da Chibata e reconhece dano moral a herdeiro.

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Justiça Federal pune ofensas oficiais da Marinha contra o líder da Revolta da Chibata e reconhece dano moral a herdeiro.
Foto: Agência Brasil

A R$ 300 mil chega a reparação imposta à União por termos ofensivos emitidos contra a memória do líder da Revolta da Chibata. A decisão da 4ª Vara Federal do Rio de Janeiro beneficia Adalberto Cândido, filho direto do marinheiro João Cândido Felisberto.

O motivo da indenização fixa da Justiça

A sentença responsabilizou o governo federal por declarações institucionais enviadas à Câmara dos Deputados em 2024. O tribunal entendeu que o ataque verbal atingiu a honra da família do marinheiro. O magistrado aplicou o conceito de dano moral reflexo, situação em que a ofensa a uma pessoa morta gera sofrimento e direito de reparação aos seus parentes vivos.

A atuação partiu de uma ação movida pelo filho contra o Estado, respaldada por parecer do Ministério Público Federal (MPF). Para o MPF e para o juízo, a anistia concedida ao líder do movimento proíbe que instituições públicas continuem estigmatizando quem o Estado já perdoou e reabilitou historicamente.

O que a Marinha afirmou sobre o movimento

O conflito jurídico começou quando a Marinha encaminhou um parecer técnico à Comissão de Cultura da Câmara. No documento, a corporação definiu o levante de 1910 como uma página lamentável e classificou a atitude dos marinheiros envolvidos com adjetivos pejorativos, chamando os participantes de abjetos.

A decisão judicial pontua que as Forças Armadas mantêm liberdade para emitir visões históricas. Contudo, essa autonomia encontra limite na proteção dos direitos fundamentais e não autoriza o uso de linguagem depreciativa contra cidadãos anistiados pelo próprio governo brasileiro.

Quem foi João Cândido e a Revolta da Chibata

Filho de pessoas escravizadas, João Cândido Felisberto entrou na corporação aos 15 anos. Em novembro de 1910, ele comandou o levante de marinheiros na Baía de Guanabara contra os castigos corporais na frota de guerra. A insurreição estourou após um marinheiro receber 250 chicotadas.

Durante quatro dias de protesto, os amotinados exigiram o fim dos açoites, reajuste salarial e melhores condições de trabalho. Apelidado de Almirante Negro, João Cândido e seus companheiros conquistaram a extinção oficial das punições físicas nas Forças Armadas logo após tomarem o controle das embarcações.

Perguntas frequentes

O que a Justiça determinou na ação sobre João Cândido?
A 4ª Vara Federal do Rio de Janeiro condenou a União a pagar R$ 300 mil de indenização por danos morais a Adalberto Cândido, filho do líder marinheiro. A decisão reconheceu que declarações oficiais da Marinha feriram a memória do homenageado.
Por que a Marinha do Brasil foi processada?
A Marinha enviou um documento à Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados em 2024 utilizando termos pejorativos para se referir à Revolta da Chibata e aos seus integrantes, descumprindo o respeito devido a cidadãos anistiados pelo Estado.
A decisão sobre a indenização já é definitiva?
O material original não informa se a decisão já transitou em julgado ou se a União apresentou recurso contra a condenação de primeira instância.
Quem tem direito a receber esse tipo de reparação?
A Justiça acolheu a tese do dano moral reflexo, que garante a parentes próximos o direito de pedir indenização quando ofensas institucionais atingem a honra de heróis ou familiares falecidos.

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