Fazenda critica proposta de autonomia financeira do BC
Dario Durigan afirma que o projeto cria um novo Poder sem fiscalização da CGU e que a retenção de receitas reduz os repasses ao Tesouro Nacional.

O ministro Dario Durigan atacou a proposta de emenda à Constituição que desvincula o orçamento do Banco Central do Poder Executivo. Segundo o representante do Ministério da Fazenda, o texto cria um órgão sem controle público.
A PEC 65 de 2023 autoriza a autoridade monetária a gerir as próprias finanças de forma independente do Orçamento da União. O texto passou pela Comissão de Constituição e Justiça e segue para análise no Plenário do Senado Federal.
Se virar lei, a instituição deixa de receber verbas repassadas pelo Governo Federal e passa a reter a receita gerada pela emissão de moedas, conhecida tecnicamente como senhoriagem. Entre os anos de 2017 e 2025, essa arrecadação somou uma média de R$ 23,3 bilhões por ano. No mesmo período, as despesas operacionais da autarquia exigiram R$ 4,8 bilhões anuais.
A fatia excedente da arrecadação, que atualmente abastece o Tesouro Nacional, ficaria guardada no caixa do próprio órgão regulador.
Risco de isolamento e perda de fiscalização
Em depoimento prestado na Câmara dos Deputados, o ministro alertou que a mudança retira a entidade da alça de controle da Controladoria-Geral da União. A perda de tutela administrativa liberaria a instituição até mesmo para apresentar projetos de lei próprios.
blockquote>É preciso fortalecer, sim, a instituição do Banco Central, assim como outras agências, sem que a gente tenha uma espécie de novo Poder da República, que pode mandar projeto de lei, que não se submete à auditoria da Controladoria-Geral da União.
Dario Durigan, ministro da Fazenda
Um grupo de economistas divulgou manifesto contra o texto. O documento aponta que a medida deixa a fiscalização vulnerável e aproxima a gestão dos interesses das instituições financeiras privadas, que são reguladas pela própria autoridade monetária.
Entenda a situação atual do Banco Central
Desde o ano de 2021, a autoridade monetária já possui independência administrativa e operacional fixada por legislação federal. As metas de inflação e a fixação da taxa de juros ocorrem sem interferência direta do Palácio do Planalto.
Apesar dessa autonomia de gestão, a verba para manter folha de pagamento, fiscalização e estrutura física continua dependendo da aprovação da Lei Orçamentária Anual pelo Congresso Nacional. É essa vinculação financeira que a proposta em tramitação pretende eliminar.
A ampliação do isolamento orçamentário atende a pedidos do presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, e conta com apoio formal da Federação Brasileira de Bancos e da Associação Brasileira de Bancos.
Para quem vale e o que acontece agora
A alteração atinge diretamente as contas públicas da União e o mercado bancário regulado no país. Para o cidadão comum, nada muda de imediato nas operações diárias do sistema financeiro.
O projeto ainda não entrou em vigor. A matéria aguarda inclusão na pauta do Plenário do Senado para votação em dois turnos antes de seguir para análise dos deputados federais.
Perguntas frequentes
O Banco Central já é independente?
O que é senhoriagem e como ela afeta o orçamento?
A proposta de autonomia do Banco Central já está valendo?
Por que a proposta de autonomia do BC sofre críticas?
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